A mente do Capitão Andrei, como a de todos os Oficiais da Armada, foi construída sobre a fundação da estratégia de proteção. Não era a guerra pelo propósito da conquista que o preocupava, mas a preservação da ordem.
A Armada Erítria tinha a força para transformar sua nação, e talvez toda Purvatara, em um vasto Estado militar se assim desejasse, mas a nação permaneceu algo diferente, algo mais do que apenas legiões e armas. Não por contenção, nem por sentimentalismo, mas por causa da intrincada estrutura econômica e burocrática que mantinha o mundo girando de maneiras que os Oficiais sozinhos não conseguiam.
Eles tinham aprendido com seus parceiros, principalmente Harata, que a falta de Governança é um defeito na capacidade de Governar. Não basta a indústria, as armas e a força, é preciso ter essa força sob controle.
Erítria, como qualquer nação, estava inserida no contexto global de comércio, e seria ingênuo acreditar que dominaria de forma sustentável os desejos e necessidades de todo o mundo.
Capitães como Andrei patrulhavam os grandes portos navais que a Armada mantinha seguros. Seu dever era, acima de tudo, manter a ordem logística. Onatra como ele, possuíam mentes muito disciplinadas. Eram pessoas de temperança, mas de ação firme e decisiva, e muitas vezes, à sua disposição, haviam oficiais como a Tenente Danila.
Tenente, ela era uma oficial de baixo escalão que prosperava nos aspectos mais brutais da disciplina. Em sua mente distorcida, ela se deleitava em ser o objeto de uma severidade implacável tanto quanto se deliciava em ser implacável aos outros. Andrei era o oficial comandante dela, o que significava supervisionar as operações de 'contenção e coleta de lixo' de tempos em tempos.
Andrei e Danila iam seguindo seu dia, atravessando o caminho que sempre cruzavam entre relatórios e rondas, nos caminhos da base. Como parte de suas atribuições, eles tinham que coordenar muitos aspectos de suas vidas, o que Danila esquecia de tempos em tempos.
— Senhor, Capitão, encontraram um corpo a poucas quadras do posto de recompensas. Estava, na falta de uma palavra melhor, 'esculpido' de maneiras estranhas e precisas. — O Sargento disse, contendo um certo desconforto.
— Sargento, eu tenho mais o que fazer neste momento. Há alguma razão para estar trazendo esse problema 'menor' para mim?
— Alguns dos oficiais estavam preocupados, e relatórios de patrulha disseram que uma Harata do seu conhecimento e a Tenente Danila foram vistas próximas do local onde o sujeito foi encontrado, próximo da possível hora da morte. Senhor. — O Sargento disse com cuidado extra.
Andrei franziu sua testa, seus olhos viajando pelo rosto da Tenente, já demonstrando que o caso era mais profundo. O velho Capitão precisava pensar rápido. Ele sabia que Danila já havia pensado sua parte.
— A Tenente, e uma Harata, no mesmo lugar? Ao mesmo tempo? Você consegue imaginar esta Tenente Danila brincando com uma Harata em becos escuros?
— Senhor, permissão para falar livremente. — Danila disse, dando um passo a frente.
— Sim, Tenente, o que foi? — Andrei disse, já vendo onde isso ia dar.
— Sua amiga Harata estava sendo assediada pelo porco, desculpe, o 'sujeito', quando seu sangue ainda estava dentro dele. Ele chamou alguns amigos para ir atrás dela, e eu intervim porque sei que ela é uma pessoa de interesse. Senhor. — Danila disse com um rosto muito convincente.
— Isso bate com o que as patrulhas relataram, Sargento? — Andrei disse, lançando um olhar para Danila.
— Senhor. Eles não foram específicos, mas poderia ser. Disseram que o falecido era conhecido por ter dificuldade em interagir com o sexo oposto. — O Sargento disse com ar de chiste.
— Tenente, importa-se de preencher as lacunas? — Andrei decidiu dar espaço para mais enrolações da Tenente.
— Sim Senhor, ele era um perigo, e se eu não fosse um exemplar de combate, ele teria me assediado também. Respondi às suas investidas bruscamente, ele se exaltou e, então, não me deu escolha. — Danila disse, tentando ao máximo parecer séria.
— E por que esse 'golpe defensivo' específico, Tenente? — Andrei perguntou.
— Era o que estava criando um contato de maneira insultuosa e ofensiva em natureza, Senhor. É segundo nosso próprio regulamento a definição de assalto. Foi a forma como tinha para me defender utilizando força proporcional, ainda seguindo o regulamento. Senhor. — Danila disse lentamente.
— Bem, Sargento, aí está o seu relatório. Agora, se nos der licença, realmente precisamos cuidar de nossos deveres. — Potap disse, saindo.
— Sim, senhor. — O sargento disse para o ar deixado pela partida dos dois.
— Tenente, da próxima vez, por favor, reporte-se a mim primeiro para que nossas histórias coincidam. Você torna meu trabalho mais difícil quando essas coisas acontecem.
— Sim, o senhor está certo. Da próxima vez, o manterei informado. — Danila disse, sorrindo.
— Da próxima vez? Certo. — Andrei disse, balançando a cabeça.
Seguindo para o cruzador, Andrei embarcou, enquanto um cabo saía pela mesma entrada, impedindo a entrada da Tenente. Enquanto ela esperava, o cabo segurou a mão dela e sem dizer nada colocou um papel em sua mão.
A Tenente foi verificar o que era, e entender o que aconteceu, mas quando olhou, o Cabo que estava ali, com uniforme oficial e todos os requisitos, em uma área segura da Armada simplesmente sumiu como se tragado pelo vento.
A mensagem era curta, como sempre, e a Tenente rapidamente reconheceu a origem.
[Divirta-se como quiser, trabalhe com dedicação, mas temos assuntos. Luar te espera.]
Com um sorriso maníaco ela escondeu o papel em seu uniforme onde ninguém iria acidentalmente encontrar, e seguiu seu dia.