Gigantes do Ringue

Os dias no Zhefaq passam como um monótono suceder de rotinas. Do toque da alvorada até o toque de recolher, o entremeio é sempre treinamento, patrulha, e as reuniões estratégicas do comando. Algumas horas por dia há a chatowa, ou como diria Tarja, 'aquilo que Onatra chama de comida', onde há uma pausa em que algum tipo de expressão pessoal existe.
Relacionamentos em Erítria são entre membros da Armada, e geralmente se restringem ao horário fora do serviço, em lugares privados e longe da visão de todos, especialmente estrangeiros.
Ariel diria que talvez isso seja algo que Amerille tenha entendido, pois é como os Silvani eram com seus relacionamentos também.
Muito diferente dos Harata, que expressam seus sentimentos e desejos abertamente, tendo apenas o decoro de utilidade e sobriedade.
Havia como entender, pois Erítria era uma terra endurecida pela guerra, e não em pequena parte por causa dos Silvani. Desde que os povos das montanhas eram pescadores vivendo em cabanas de pedra e palha, e comunidades pesqueiras, que os Silvani muito mais avançados os atacavam.
Levou tempo até que os Beruanos, de todos os povos, os encontrassem, e através de anos de compartilhamento de cultura, uma linguagem completamente criada por eles, o Onatri, e técnicas de guerrilha, que os Onatra conseguiram repelir os Silvani.
E agora, mais uma vez, antigos poderes se agitavam. dissidentes moviam-se nas sombras, procurando o que fora perdido no tempo. Artefatos dos antigos. Relíquias ligadas a rituais esquecidos, cujo propósito ainda é desconhecido.
Era manhã e Erlan exalou lentamente ao acordar, seu olhar se deslocando para as janelas onde de qualquer lugar as muralhas da fortaleza eram uma constante. O presente tinha seu próprio peso, suas próprias lutas.
Tarja, por outro lado, encontrou seu interesse em outros aspectos, ou em outra perspectiva dos mesmos aspectos. Por anos, ela admirara a disciplina da Falange, a unidade de suas paredes de escudos, a eficiência brutal de sua guerra. Mas o que mais a intrigava era sua forma de combate desarmado, uma arte marcial brutal e metódica projetada para a sobrevivência quando um soldado se encontrava sozinho ou quando sua lança não era mais uma opção.
Ela já havia acordado muito antes do toque da alvorada, ainda era escuro, e ela observou quando as bandeiras se levantaram, quando os soldados do turno da noite se recolheram e os do dia se encaixaram na rotina. 
Ela estava já esperando os primeiros treinos da manhã.
Combate, como é chamado simplesmente em Onatri, é uma luta que aposta em força e submissão. É um estilo que aposta em um físico peculiar da etnia Onatra, e tem como base a força muscular e os densos ossos desse povo. Através de séculos de seleção tanto de vida quanto seleção sexual, os Onatra desenvolveram um corpo peculiar, que lhes falta genes e lhes sobra genes moldando uma capacidade de poder grama por grama para enfrentar um gorila em levantamento terra.
Tarja já havia usado elementos do combate Onatra em batalha antes, fragmentos de conhecimento obtidos de contos e descrições de técnicas. Mas aqui ela teria a oportunidade de aprender com verdadeiros mestres da arte, soldados que vivem o combate, com corpos aprimorados e técnicas refinadas ao longo de anos de guerra.
Ao se aproximar do campo de treinamento, ela viu os guerreiros da falange treinando em perfeita sincronia. Mas no treino de combate adjacente, vinha o verdadeiro teste de sua disciplina. Dois lutadores travando uma luta de força e submissão, cada um buscando dominar o outro. Braços se enroscavam, torsos se torciam e o equilíbrio era quebrado em um piscar de olhos. Cada movimento tinha um propósito, e erros poderiam ser vistos por braços e pernas quebradas. Cada movimento era medido.
O chamado veio como esperado, cortando o impacto rítmico dos corpos se chocando, das botas arrastando-se pela terra batida e dos grunhidos guturais de esforço.
— Uma Carpata no círculo. Veio provar o seu valor fazendeira?
A voz era áspera, divertida, carregando o peso da expectativa.
Tarja girou os ombros, deixando a pergunta assentar em seus ossos, a antecipação aquecendo seus músculos. Não havia necessidade de perguntar o que queriam dizer, isso era um desafio, não um teste.
— Vamos lá então soldado. Valor por valor. Vamos ver o que o Zhefaq tem. — Tarja respondeu já se preparando.
As palavras não carregavam bravata, apenas uma certeza simples e inabalável.
O campo de treinamento notou. Alguns dos soldados da falange sorriram de lado, já entretidos. Outros deram pequenos acenos de aprovação, reconhecendo o que ela estava prestes a fazer. Ela não era apenas mais uma Carpata, não apenas alguma trabalhadora designada para reparos e manutenção. Ela foi feita para mais.
Alta. De ombros largos. Um corpo moldado não pela disciplina, mas pela sobrevivência.
A Armada via os Carpata como artesãos em primeiro lugar, úteis, necessários, mas não guerreiros. Tarja, com seu cabelo vermelho e as curvas robustas de quem conheceu o trabalho antes da guerra, não se encaixava no molde deles de um soldado Onatra. Mas a maneira como ela se movia, a maneira como entrou no círculo sem hesitação, os fez parar. Ela já estivera em lutas antes. O treinamento de combate girava em torno de um princípio, a técnica do Bastião.
Os oficiais notaram quando ela entrou no círculo. Não havia necessidade de aprovação, soldados não pediam permissão. Se um lutador entrava no círculo, essa era toda a confirmação de que precisavam.
E para Tarja, este momento importava. Ela já havia derrotado dissidentes e bêbados antes, homens sem treinamento, sem disciplina. Mas agora ela estava enfrentando um soldado treinado.
A luta começou, e Tarja imediatamente sentiu a diferença.
Seu oponente era mais forte, mais pesado. Ele sabia como usar a força, como controlar seu peso. Mas ela era mais resistente.
Ele se moveu para desequilibrá-la, mudando sua postura com precisão, procurando uma falha em seu apoio. Mas Tarja sabia como criar raízes.
Ele tentou forçá-la para baixo, alavancando seu peso para quebrar a postura. Mas ela enterrou os calcanhares no chão, seu centro de gravidade baixando instintivamente, ajustando-se como pedra se assentando no lugar. Ela não era uma mestre do Bastião, ainda não, mas entendia o fundamento.
De uma passada, ela sentou nos calcanhares, alçando oponente no ombro, completando o giro passando por ele que agora deitava sobre o joelho dela. Rapidamente ela deitou o joelho e deu a volta, quando ele tentou levantar, ela o permitiu na medida em que era levantada também, travando os joelhos atrás dos dele quando ele iria se mover.
Ele tentou arquear as costas para jogá-la a frente, ela usando o pêndulo para jogá-lo no chão enquanto torcia-se para terminar por cima dele.
Ele cedeu. 
Ela rapidamente enganchou os braços por debaixo das axilas do oponente, segurando sua nuca com as mãos entrelaçadas, travando suas pernas com as dela, e encolhendo os ombros.
O ponto era dela, e ele admitia já mesmo que não pudesse bater.
A luta não foi rápida. Não foi fácil. Foi uma luta de atrito, de resistência contra a força. Mas à medida que o combate se estendia, a percepção entre os soldados que assistiam crescia.
Ela pertencia aqui. Não como uma recruta. Ela era algo que eles não haviam previsto. Uma Carpata que lutava com a energia Onatra.
O dia passava, e eles mesmos não tinha nada para fazer, mas o Zhefaq passa de turno em turno.
Apesar dos soldados treinando mudarem, uma presença estava ali observando desde cedo. Ela treinou seus movimentos, mas absteve-se do círculo. Estava ali também fora de seu posto, em recesso, sem nada para fazer a não ser o que o time também estava. Mas era o momento.
Svetlana observava Tarja demonstrar aos soldados de Zhefaq que existem exemplares fora dali que lhes ofereciam um desafio. Ela ainda não estava satisfeita com a conversa que teve com Aleksandr há tantos dias, e queria refletir no Zhefaq como há poder lá fora.
Tarja havia terminado o treinamento de luta e também seguia os soldados que ainda se exercitavam nos círculos. Ela observava, de braços cruzados, em uma mistura de diversão e estudo.
Ariel e Erlan estavam lá, observando. Como sempre, aprendendo mais sobre a cultura que demonstrava como os Silvani isolados se achavam superiores enquanto o resto do mundo avançava em tecnologia, filosofia e visão de mundo. Eles cada vez mais se conformavam com a situação do exílio. Seu povo, sem saber, já estava de joelhos diante de um poder maior, mesmo antes de perder a guerra.
Valaravas estava lá, no meio da cena, sem muito mais o que fazer, sua postura relaxada e irreverente, observando os movimentos dos soldados com pouco interesse. Ele era o único Harata em Zhefaq, e o ambiente não oferecia nenhum tipo de interesse que ele quisesse buscar.
Ariel estava perto, mas evitava a proximidade com Valaravas, ainda não totalmente convencida sobre como seria a dinâmica deles. Ao considerar se aproximar, sua ideia foi interrompida pela voz de uma mulher que rivalizava com o poder dos soldados vocalizando sua força.
Onatra tinham uma outra característica que era buscada tanto pela Armada quando pelos homens e mulheres entre si: A voz de comando.
A voz dos Onatra em Erítria era uma voz poderosa, no geral, mas Svetlana, apesar de mulher e já no quarto, tinha uma voz poderosa.
E com essa voz que emanava autoridade sem esforço, mesmo em conversas casuais, que ela virou as cabeças de meio Zhefaq.
— Você é do tipo que entra na arena e não luta, Harata?
Valaravas sabia, além de ser o único Harata no Zhefaq, era costumeiro que suas visitas sempre culminavam nesse evento.
Os soldados se aquietaram, as cabeças se voltando para o centro da comoção. Os jogos eram comuns ali, uma forma de descontração durante os treinos obrigatórios. Mas Svetlana era outra coisa. O desafio ali era Onatra contra Harata, dois exemplares de suas forças. Ele, um agente da Lâmina Harata, conhecido pela sua habilidade furtiva na luta tradicional de seu povo. Eles sabiam que ele era um Legado Urbani, o que pelo menos significava oportunidade e expectativa.
Ela, Svetlana, é uma lenda viva em Erítria, fazendo jus ao nome, e ao patrônimo.
— Pensei que seu povo fosse amante das artes e dos esportes. Ou intimidamos mais que os touros, Harata? — A voz da general era agora mais direta, e mais próxima, como já descia em direção ao círculo.
Valaravas mal reagiu. Ele esperava por isso desde o momento em que pisou em Zhefaq. Cada visita seguia o mesmo ritmo, a mesma performance. Os veteranos já tinham visto isso antes, conheciam o roteiro, mas os novos oficiais, Aleksandr entre eles, estavam prestes a testemunhar o ato de abertura pela primeira vez.
O Harata sorriu, inclinando a cabeça ligeiramente, sua diversão clara.
— Svetlana, é a hora de suarmos juntos? — Valaravas se levantou já retirando seus anéis e brincos. — Eu sei como você gosta de uma pegada.
Em algum lugar na multidão que se formava, uma risada foi rapidamente abafada.
— Vamos lá tia. Hora de esquentar essa festa. Mas esta luta não é Combate. Espero que esteja preparada para gingar. — O Harata disse já esticando numa ponte, e descendo a escada em parada de mão.
Svetlana não respondeu com palavras. Em vez disso, ela alcançou as fivelas de sua armadura, removendo metodicamente as pesadas placas. Com as características coxas das mulheres Onatra, Svetlana decidiu mostrar que a idade não tinha ainda tirado dela o poder. Ela descia pelas escadas 4 degraus a vez, saltando no final com um giro de costas e o barulho da queda em pé fazendo o círculo vibrar.
Se ela e Valaravas ficassem de costas um para o outro, o corpo dela esconderia o dele completamente. Mais alta. Mais larga. Mais forte.
Era um ritual, um repetido ao longo de muitas visitas. Valaravas juntou seu longo cabelo, amarrando-o em um estilo mais prático para a luta. Com um movimento lento, ele puxou a camisa por cima da cabeça com um único braço, e jogou de lado.
Svetlana postava-se como uma fortaleza, construída de força e poder bruto. Valaravas era definido, esguio, construído como uma lâmina em vez de um martelo.
Eles se prepararam no círculo, Svetlana de seu lado na postura de combate, o bastião da falange, como um tigre pronto para atacar. Valaravas em uma ginga muito apertada, medindo sua oponente.
Tarja observava peculiaridades interessantes. Seu bastião iniciante requeria todo o corpo, enquanto Svetlana usava o Bastião simplesmente com o a base e o quadril, sem afetá-lo com o movimento do torso. Seus pés levemente arqueados, mais enraizados que a forma que ela usava, posturando com a perna toda.
Svetlana se moveu diretamente e Valaravas usou a queda de lado, apoiando o corpo no cotovelo para alavancar a tentativa dela, a sola do pé diretamente no joelho da Onatra.
Ela não recuou. Em vez disso, deslocou seu peso, absorvendo a força com facilidade deliberada, firmando-se como uma árvore criando raízes. Seu braço se lançou, buscando agarrar, prender, controlar.
Mas ele já havia partido antes que ela pudesse apertar o controle. Um golpe floreado sem quebrar a postura da base de solo com a parada de mão lateral.
Ela se moveu para puxá-lo de volta, e ele usou esse movimento para dar um coice em seu peito e se levantar na ginga enquanto ela tentava equilibrar-se para trás.
A Falange que assistia murmurou. Eles a tinham visto lutar antes. Não assim. Estranhavam que o adversário menor e mais fraco, não demonstrando tanta agilidade, ainda incitava um certo cuidado. Ela não estava avançando para sobrepujar ele com a força, e eles não entendiam.
Svetlana avançou, seus passos medidos. Valaravas se moveu com ela, fluido, indecifrável, o ritmo da ginga em cada movimento seu. Ele cedia, mas nunca se rendia. Cada centímetro que ela ganhava, ele roubava de volta com um movimento imprevisível.
Ele girou, uma finta levando a um golpe ascendente, os dedos curvados em um ponto preciso visando o ombro dela.
Ela avançou sobre ele, não para longe,  mas tomando e absorvendo o golpe. Tão perto, ela o pegou. Um aperto como ferro se fechou em torno de seu pulso. Ela puxou ele pra cima tirando seus pés do chão. O momento congelou por um átimo. Talvez os oficiais que nunca viram uma luta deles tivessem até prendido a respiração.
E então ela se ajoelhou sobre um joelho, movendo o torso em ângulo como se jogasse um saco de grãos no chão com força.
Como um felino, Valaravas simplesmente torceu sua cintura, acompanhando o movimento de Svetlana, caindo em pé, com a base aberta, seus pés arqueados para fora, e a dobra dos joelhos cobrindo completamente o impacto. 
Ele deliberadamente agarrou o braço dela com a outra mão que ela não estava segurando, e como um rapel literalmente escalou Svetlana, utilizando suas pernas para trazer a mulher abaixo desarmando o bastião que ela tentava manter.
Seu corpo se torceu, rolando com a força em vez de resistir, sua mão livre se plantando contra a terra. Antes que ela pudesse alavancar o domínio em algo definitivo, ele girou em um contrapeso.
Ela inclinou a cabeça, sua expressão indecifrável, exceto pelo mais leve curvar de seu lábio.
— Só isso que você tem Harata?
Valaravas sorriu.
Usando o aperto que ela ainda mantinha em seu pulso, ele se torceu, usando o corpo dela como alavanca. O domínio dela se tornou uma desvantagem, seu equilíbrio perturbado. Ele enganchou um braço atrás do joelho dela, inclinou o ombro em seu quadril e, como girar uma chave em uma fechadura, ele a virou de sua postura.
Então ela riu. Uma risada cheia de reconhecimento.
Ele a soltou, rolando para longe como se estivesse se desembaraçando do abraço de uma amante em vez do contra-ataque de uma oponente. Ele se levantou em um movimento fluido, erguendo a mão para ajudá-la a se levantar.
Ela ignorou, erguendo-se sem hesitação. Sem palavras.
Em vez disso, ela se moveu novamente, mais rápido desta vez.
Ele fingiu um golpe baixo, deslocando-se para o lado, rápido demais, escorregadio demais. Ela se ajustou, mas por pouco. A perna dele varreu, desequilibrando-a. Ela tropeçou, apenas ligeiramente, mas foi o suficiente.
Os soldados reunidos inspiraram bruscamente.
Ela se recuperou.
Ele avançou novamente, visando a precisão, o controle. Ela o deixou.
Até o momento em que o chute dele atingiu seu ombro.
Então ela se torceu, seu braço se fechando como uma morsa, prendendo a perna estendida dele.
Ela se impulsionou para cima, seus braços maciços se fechando em torno da estrutura dele. E então, com força pura e avassaladora, ela o levantou e o jogou no chão.
Mais forte desta vez.
Valaravas atingiu o chão, rolou, riu.
Ele plantou as mãos, erguendo-se em uma parada de mão lenta e controlada, mantendo a posição por tempo suficiente para provar seu ponto.
O golpe não fizera nada.
Svetlana exalou, afastando uma mecha úmida de cabelo do rosto.
— Ainda tem mais? — Ela disse com a voz ainda poderosa.
— Mas é claro mulher. Nem terminamos as preliminares ainda.
A maneira como os olhos azuis de Svetlana brilharam, a maneira como os cantos de sua boca se curvaram, ela estava se diverindo.
Eles se moveram novamente. Mais rápido. Mais perto. A tensão aumentando, a energia escalando.
Ela pegou o braço dele, ele se desvencilhou. Ele a imobilizou por um momento, ela reverteu, virando a articulação dela contra si mesma. Giraram, contra-atacaram, ajustaram, nenhum cedendo, nenhum se rendendo.
E, no entanto, no meio da luta, havia outra coisa.
A maneira como eles se chocavam, não era apenas sobre domínio ou controle.
Estavam se testando, empurrando limites, mas era mais do que uma luta.
Seus movimentos se entrelaçavam, uma mistura de precisão e instinto, de combate e algo mais próximo de uma dança, como se o ritmo importasse tanto quanto o resultado.
E então, como por acordo silencioso, eles pararam.
Um bloqueio final dela. Uma evasão final dele.
Ficaram próximos, a respiração se misturando, a pele úmida de suor, os músculos contraídos com a tensão residual. Perto que estavam, falavam em tons que só eles podiam ouvir.
— Está agressiva hoje, mulher. Tudo isso é saudade da minha pegada? — Valaravas provocou com um olhar direto.
— É para você não esquecer quem é que manda, Harata. — Svetlana respondeu com uma piscada.
Por um momento, eles permaneceram ali, sem se mover, sem quebrar o contato visual. Estavam tão perto que a respiração, o calor, talvez até seus batimentos cardíacos se compartilhassem. Tempo suficiente para que os olhos que assistiam estranhassem sua general Onatra.
Então, com um passo medido, Svetlana se retirou, recuperando o espaço entre eles.
Os soldados da Falange que assistiam e nunca a tinham visto assim murmuravam intensamente.
Era algo que nunca tinham visto em um Onatra em geral. Ela esperava que o Harata fosse tão bom quanto o necessário para impedi-la de ter que se conter, e ele era.
A luta entre eles era uma experiência de vínculo, mas ninguém confundiu aquilo apenas com um treino agradável, mas sim com uma demonstração de força de ambos.
Todos ali deixaram os campos de treinamento com pensamentos diferentes, com interpretações diferentes.