Depois de deixar as ruidosas ruas do mercado, Valaravas deixou Situ correr e brincar com as outras crianças, e caminhou com Nandi em direção ao quarto 1 do residencial Magenta. Seus passos eram lentos, contemplativos, combinando com o ritmo dos sons da ilha, o distante quebrar das ondas contra as rochas, a conversa do mercado carregada pelo vento, o sussurrar das folhas de palmeira na luz moribunda.
Era o tipo de silêncio que pedia para ser quebrado, o tipo que convidava ao significado.
Nandi, sempre sintonizada com tais momentos, deu a deixa.
— Estamos só nós meu leão. Abre teu coração. — A voz forte da Sangamani era terna.
Valaravas exalou pelo nariz, sua testa franzindo-se ligeiramente.
— Rentaniel esteve em Luar. Ele irá em Zhefaq, eles querem falar com ele. Antecipar nossos passos.
Seus passos curtos e medidos combinavam com a deliberação em sua mente. Ele esperava um comentário de Nandi, alguma percepção, algum fio de entendimento para puxar. Mas o silêncio dela foi sua própria resposta. Ela precisa mais, ela só responde quando uma intuição aparece.
— Ele poderia, não, deveria ter nos esperado na Fáscia. Ele não gosta da Armada, e tenho receio do que eles farão quando Rentaniel não cooperar.
— O leãozinho segura brasas. — Nandi respondeu sem olhar diretamente. — Ele se queima, são cicatrizes dele, não suas.
— Não me importa Rentaniel, Nandi. Importa Nushala. Ela não merece o futuro que ele está criando para ela. — Valaravas parecia menos tranquilo. — Só me preocupa ela.
— Você sente falta da Ayla. Mas a Silvani não vai acalmar seu coração. Você sabe disso, meu leão. — Nandi disse com uma expressão quase maternal.
— Eu sei. Ayla não era para ser. Nossa caminhada já preparava o destino. Eu aceitei, mesmo assim. Eu vou enfrentar isso. Eu sou Harata, eu posso controlar. — Valaravas disse com tom decisivo.
— Mas tem que significar alguma coisa. Ayla não se sacrificou só por gostar de mim. Ela tinha um plano, ela sempre tinha um plano. — Ele seguiu como se para convencer a si mesmo.
— Rentaniel gosta de você da maneira dele, leão. Nushala, ela precisa de você, e ela vai precisar de Ariel também. O mundo precisar conhecer Ariel, não 'uma Silvani'. Você precisa apresentar o mundo pra ela. — Nandi disse com emoção. — Caminhe com ela, como você caminhou com Ayla.
— Contar a eles? Contar a ela? — Valaravas virou-se para Nandi, realmente indeciso. — Ela ainda não está preparada. Ela precisa estar. Ela que tem que caminhar comigo. Eu sou Harata, não posso caminhar por ela.
— Ela tem que aprender a caminhada. Mas ela vai ver Ayla em você, e Ayla vai ensinar a ela. — Nandi respondeu definitiva.
Valaravas franziu a testa ligeiramente, sua expressão indecifrável.
— Mas e se ela ver você na minha caminhada. Ela pode não entender, ter medo.
Seu olhar escureceu em pensamento. Valaravas quase parecia triste.
— Ela é Silvani. A mente já poluída. Não posso forcá-la, não posso ensiná-la, e ela não vai deixar que você ensine.
Uma sombra de algo indecifrável cruzou o rosto de Nandi, transformando-se lentamente em um sorriso. Ela estendeu a mão, seus dedos roçando o rosto do Harata, deslizando por seu cabelo, brincando com os fios em um afeto quase distraído.
— Se ela me ver em você? Se ela ver Ayla em você? Se ela ver Ayla, saberá o que fazer. Se ela me ver em você, saberá a razão de fazer. Mas é você que ela verá o que importante. — Nandi disse pousando a mão no peito de Valaravas.
Nandi enrolou os dedos no cabelo de Valaravas e os deixou cair, como se desenrolando uma lição.
— Seu coração é sincero. Não precisa palavras.
Nandi inclinou a cabeça ligeiramente, seu olhar medindo algo distante, algo que nenhum deles ainda podia tocar.
— Eu não me importo. Somos outra coisa, leão. Eu não posso ser o que ela pode, e ela não pode ser o que eu sou nesse coração. Estamos em lugares diferentes.
Valaravas ficou imóvel por um longo momento.
Então, com uma inspiração lenta, ele se virou. Para um Harata, não havia nada como uma multidão, o clamor da multidão, o zumbido dos negócios, a mistura de aromas de especiarias, tinta e aço. Era ali que eles prosperavam e encontravam a paz que outros encontravam na meditação. Não havia mais nada a aprender, apenas a entender.
Nandi o observou partir, com um olhar terno. Havia muito ainda pela frente, mas a Sangamani vivia em outro mundo, não mais o do seu povo. Ela ainda tinha que achar seu lugar, mas era uma preocupação para outro momento.