Batismo a ferro e fogo

Os irmãos Silvani aproximavam-se das docas como fizeram em muitas outras missões. Ariel procurou as rochas mais inclinadas contra a direção dos dissidentes que andavam pelo perímetro.
Erlan a seguida, mas sua mente estava focada no preparo mental para a ação. Ele confiava em sua irmã para montar todo o plano, e decidir como agir. Ele, simplesmente agiria.
O roteiro que eles haviam encontrado escrito no alojamento dizia sobre o garoto, todo o resto era descartável. As docas pareciam ter apenas homens encapuzados em vestes táticas para esconder na escuridão. Não parecia haver nenhum civil ou colateral por perto.
Após inspecionar o campo, Ariel usou uma série of gestos para indicar a Erlan como procederiam. Ela instruía o irmão como seguir de acordo com a posição que tomaria, já que uma vez em campo, ela não teria como comunicar-se, então se precisasse que ele recuasse, era só ela recuar, e ele a seguiria. Avançar, ele avançaria. Era seu trunfo estratégico. Total coordenação.
Ariel posicionou-se deitada sobre o teto de um dos galpões mais distantes e vazios. Erlan estava esperando abaixo dele. Ela rapidamente montou o esquema .405 com longa mira, e acompanhava o homem que se afastava do possível local do cativeiro. Era a o mais protegido, e único com uma presença constante.
Seus dedos prepararam o disparo com calma. O rifle, silencioso, mas não completamente. Ela aguardava o padrão.
Meia puxada, o gatilho estava estendido, o tiro já preparado, não tinha como voltar. A Silvani exalou, e o barulho do vendo somado ao do tipo parecia natural. O homem caiu no chão.
Abaixo, Erlan tomou o barulho como sinal e cruzou pelo campo coberto pela escuridão.
Ariel usou a mira que não estava montada para observar Erlan chegando no seu ponto.
Erlan, dominando a furtividade, assumiu a liderança, deslizando silenciosamente à frente para explorar o armazém.
Ariel seguiu-o com a mira. Duas figuras apareceram pelos lados do prédio. Erlan acenou pelo lado direito da visão de Ariel. Ela imediatamente centrou a mira no guarda vindo pelo lado esquerdo. 
Antes que ele pudesse chegar, Ariel mirou no olho esquerdo do guarda, que atingido caiu para o lado direito. O barulho que fez ao cair chamou a atenção do guarda pela direita, que correu para investigar, sendo parado por Erlan ao chegar perto do canto onde ele se escondia.
Rapidamente Erlan puxou os dois corpos para trás do prédio. Ele vasculhou os pertences, e os deixou bem escondidos no meio dos arbustos. 
Ariel vigiava com a telescópica para algum sinal de reforço.
Um outro guarda estava vindo do prédio da frente, não alarmado, mas provavelmente dando pela falta dos guardas. Quando ele passou o suficiente para não dar sinal para os ocupantes do prédio, Ariel abateu-o com um tiro certeiro no centro da testa.
Agora ela precisava correr. Rapidamente ela montou a configuração de rifle de assalto e desceu como uma ginasta pela parede da construção em que estava.
Seus passos rápidos e ágeis, silenciosos o suficiente com o barulho da noite e do mar.
Em minutos estava junto com Erlan atrás do prédio.
Eles ouviram a porta daquele galpão abrir, e rapidamente Ariel tentou ver o mais discretamente que lado a porta abria, e que lado o homem saía.
Ela sinalizou para Erlan ir pelo lado esquerdo e segurar no canto, enquanto ela daria volta.
Erlan esperava no canto esquerdo o homem que vinha cuidadosamente.
Ariel foi pelo lado direito tentando visualizar com o visor curvo pela janela como estava dentro do galpão.
No momento em que o homem que vinha se encostou na parede para fazer a volta no canto, Erlan levou a lâmina que tinha na mão direita no pescoço dele, e a mão esquerda a lâmina curva para neutralizar qualquer arma que ele estivesse empunhando. 
Com o barulho, Ariel retraiu o visor e voltou para atrás do galpão.
Ariel e Erlan pressionaram-se contra a parede, seus movimentos sincronizados e silenciosos. Ariel sinalizou para Erlan. Dentro do galpão estavam mais dois bandidos, e o garoto. Um deles estava inquieto, provavelmente prevendo algo errado.
Ariel indicou que a porta abria para a direita e para fora.
Erlan imediatamente deu a volta pela esquerda do prédio, escondendo-se baixo para circular a frente. Ariel fez o mesmo pela direita.
Erlan foi até perto da porta, esperando qualquer atividade. Ariel permaneceu no canto esperando. Ela observava onde exatamente o garoto estava dentro do galpão. Erlan então aproximou-se baixo e bateu na porta no ponto mais baixo no canto esquerdo.
— Mostre-se ou o garoto morre. — A voz seca vinha de dentro.
Erlan e Ariel seguiam em silêncio. 
— Aparece ou o garoto morre. — A voz repetiu agora em Onatri, muito errado.
Erlan movimentou-se cuidadosamente para aparecer no canto da porta. Os bandidos lá dentro voltaram suas armas para o Silvani, miras direto em seu peito.
— Armas no chão. — As vozes dos bandidos em coro.
Erlan fechou a porta atrás de si, e se desarmou, lentamente, colocando duas pistolas que carregava no chão.
— Chuta pra cá. — Um dos bandidos disse.
Erlan obedeceu.
O bandido olhou em volta, pelas janelas, as sombras, e moveu-se para as armas que Erlan chutou.
O Silvani deu um longo silencioso inspiro, fechou os olhos rapidamente, e entrou em ação. Ele saiu para a direita, fora da área da porta, e jogou uma pequena adaga espeto no bandido mais atrás, não com mira vital, mas mirando nas mãos que poderia usar para ferir o garoto. Ao mesmo tempo Ariel que já tinha se posicionado na frente da porta, e disparou um salvo em angulo para baixo, sabendo que o garoto não estava em linha com a porta. O bandido que havia vindo colher as armas foi cravejado.
O outro que recebeu uma lâmina no braço, ficou sem ação por um momento, mas já tentava se recuperar.
Erlan com uma explosão correu em sua direção, pulando por cima dos obstáculos no caminho encurtando a distância antes que o bandido pudesse se recuperar ou agir contra o garoto. O objetivo de Erlan era separar o bandido do garoto, não atingi-lo.
Ariel já estava dentro do galpão, e já mudando o rifle para tiro simples, puxou pela memória onde estava o bandido, e rapidamente mirou e atirou diretamente na cabeça dele.
Alguns centímetros de erro, e ela teria atingido Erlan, mas este, nunca pensou nessa possibilidade, não se conhecia sua irmã.
Ariel ajoelhou-se ao lado do garoto, desamarrando-o rapidamente enquanto seus olhos assustados dardejavam entre seus salvadores. O garoto com certeza esperava quaisquer outros salvadores que não Silvani.
"Seguro, seguro." Ela disse com firmeza, sua voz baixa para evitar atrair atenção indesejada. O garoto talvez nem soubesse o que ela estava falando, mas o ato em si pareceu acalmar a tensão.
Os três rapidamente deixaram o galpão, sua missão completa, mas seus sentidos aguçados, alertas para mais perigos.
Os ventos do mar levaram os traços tênues de caos deixados para trás. Enquanto desapareciam na noite, o garoto olhou para o armazém uma última vez, depois se concentrou à frente, seguindo os dois Silvani que se arriscaram para salvá-lo.
Enquanto os três partiam, um grupo de quatro bandidos correu em direção a eles.
Ariel estava ocupada com o garoto, não poderia rapidamente armar-se. Erlan havia se desarmado, mas ainda tinha suas lâminas, e já se preparou para a luta, sinalizando para a irmã seguir.
Erlan ia começar a correr em direção aos novos adversários, e eles já estavam se preparando, quando um deles, mais atrás, chutou as pernas do que estava na frente, por trás dos joelhos. 
Aquilo parou Erlan meio passo.
O bandido "rebelde" moveu-se graciosamente ao redor dos outros dois como se estivessem dançando, aparentemente socando-os tão suavemente que quase parecia coreografia. Após alguns movimentos, os outros dois bandidos caíram. Uma macha sombria se formava abaixo de seus corpos.
Ariel instintivamente impediu o garoto de ver a cena.
O homem ainda de pé ficou anormalmente parado, sua postura relaxada apesar dos corpos a seus pés. A lua iluminou a arma em sua mão, um karambit, sua lâmina de um negro reflexivo como onix, pingando vermelho pelo fio de azulado.
Ariel ficou mesmerizada pelos olhos castanhos, a única parte do rosto do infiltrador Harata visível através da máscara. Eles eram anormalmente claros e quase calmantes de se olhar. Um castanho claro, quase amarelo, que refletia a luz como olhos de gato, mas parecia mais uma impressão do que realidade. Ariel via que eram olhos naturais, humanos, e ao mesmo tempo, carregavam um brilho sobrenatural.
Ele caminhou em direção a eles, guardando suas armas.
Por um momento, Ariel pensou em Obravar, mas a voz não combinava. Esse era mais novo, porém mais seguro de si e tinha uma autoridade suave que Obravar não tinha.
O Harata disse a eles que poderiam levar o garoto de volta para a Taverna do Luar, que estariam seguros. Eles não sabiam por que, ou como, mas se sentiram seguros com esse Harata. Era algo que simplesmente os fazia sentir que ele não era uma ameaça.
Ainda seguindo para a Taverna do Luar, Ariel olhou para traz tentando captar outra visão do misterioso Harata, mas ele havia sumido como se consumido pela própria terra.