Existia apenas um lugar em toda a Ealetra onde nunca houveram disputas de fronteiras, aspirações imperiais, ou conflitos de visões diferentes de realidade. Um lugar onde as regras existem como parte da natureza, imposições do mundo natural adotadas pela racionalidade e inspiração em uníssono.
Um lugar onde não existem governos ou nobres, mas famílias, e cada uma delas tem seu espaço, seus costumes, suas regras e suas direções.
A Nação Sangamani como era conhecida por todo o povo de Ealetra não tinha um nome entre seu povo. A maioria conhecia das famílias que conheciam, e o povo que vivia ao seu redor, isolados ao norte por uma grande cadeia montanhosa, eles raramente viam visitantes, e a maioria era combatido pelas famílias mais selvagens do norte do deserto, ou 'Sangamá' como chamavam.
Há muitos anos, os Harata, primeiros a conseguir tratar com eles, chamaram o povo de Sangamani, e assim todos que tem contato com qualquer povo fora de sua nação fechada usa o mesmo nome.
Há muito tempo que nenhum Sangamani aparece fugindo, a maioria dos exilados sendo escravos libertos dos piratas, ou os perdidos pelo costume Sangamani de banimento.
Mesmo assim, raros são os Sangamani ainda vivos fora da nação Sangamani que viveram em suas terras tempo o suficiente para falar delas. E estes, mesmo lembrando, não falam.
Os homens Sangamani são famosos por seu tamanho. Pele escura como a noite, mais altos e mais largos que os Onatra, eles são encontrados quase exclusivamente como mercenários, seguranças, ou braço forte de alguma forma.
As mulheres Sangamani em sua maioria aproveitam a fama e sua natureza como místicas de várias formas. A maioria conselheiras de figuras como Senadores Urbani, Barões Harata, ou raras vezes, cozinheiras e curandeiras.
A maioria dos Sangamani são presenças transientes na Trifronteira, indo e vindo acompanhando quem quer que os empregue como for.
Nandi é uma figura conhecida por ser companheira de Valaravas, e ter sido companheira de Ayla.
Nas ilhas do sul, porém, Raila Ktono faz parte do Conselho de 'governo', a única mulher, a única mulher Sangamani livre em toda a ilha. Ao seu lado, Barisi Mbugo, o seu guerreiro, como seguindo a tradição de sua terra mesmo fora dela.
O conselho das ilhas livres é composto por dezenas de bocas falantes, como diriam, mas apenas cinco membros tem algum poder de decisão, dado os poderes que comandam.
Karak, o mais ausente de todos, raramente exercendo seu poder diretamente, mas com um grupo de seguidores que garante sua cadeira mesmo quando ele não está presente.
Shmaria, Shalev e Avivi, três Silvani que ali foram colocados por forças diretamente do Vale do Silício, apoiadas por todos os seguidores Silvani. Sua natureza não é como a dos exilados ou dos de Tirayon, mas selvagens, como aqueles que encontram-se apenas no Vale. Sua pele grossa, seu corpo mais grosseiro e mais denso, eles tem uma aparência ameaçadora, onde os outros Silvani tem uma aparência esguia e atraente.
Raila, cujo poder até então é incontestado por Karak por alguma razão, tem o apoio dos seguidores do Harata. Os Silvani por alguma razão raramente se opõe à ela. E mesmo que quase todos os membros menores do conselho questionem o poder de Raila, eles não tem o poder para fazer nada a respeito.
Ali, a reunião do conselho estava começando como a maioria das vezes começava.
Karak ausente. Os Silvani impacientes. Raila com suas cartas de tarô lendo e confabulando com Barisi e ocasionalmente Shmaria que tem um estranho interesse na mística Sangamani.
Shalev e Avivi, os dois homens Silvani iniciaram sua impaciente declaração, vendo que tudo estava parado.
— Precisamos aproveitar o momento. O príncipe está caindo na armadilha. É o melhor momento. Já temos tudo ponto! — Shalev disse, sendo confirmado por Avivi.
— Precisamos é não ser estúpidos. — Malek, o representante de Karak disse para o vendo, ao que pareceu.
— Cadê o seu mestre, cãozinho? — Avivi perguntou, sarcástico.
— Meu mestre é o bom senso. — Ele buscou algo como se puxasse o resto da declaração do ar. — A armada irá destruir todos se não agirmos com racionalidade.
— Seu mestre o colocou aqui para dizer algo, mas a intenção dele é outra. — Raila disse apontando uma carta em sua mão. — A torre ocupa sua cadeira. Isso diz que ele sabe que seu argumento não vai dar certo, mas é o que ele quer.
— Então você diz que devemos fazer o que ele diz, porque ele quer que não façamos o que ele diz? — Perguntou Shmaria, mas divertindo-se do que propriamente participando.
— É o que ele acredita, não o que eu aconselho. — Disse Raila retrucando. — Eu acho que vocês todos são ignorantes nascidos de culturas que presumem saber o que apenas o além pode responder.
— Começamos... — Disse Avivi.
— Não podemos viver de ataques de guerrilha, escravos e saques. — Shalev irritou-se.
— E o que você sugere? — Malek retrucou.
— Precisamos buscar a ajuda do Vale, e atacar Tirayon.
— Atacar Tirayon? Está louco? — Malek disse desesperado.
— Pense. Um grupo desses vagabundos que temos ataca Tirayon. Pegamos os loucos do Vale, e mais uns escravos sem nada a perder. A Armada cerca Tirayon, protege o Consórcio em volta. O sul fica desprotegido. Tomamos Magenta de volta. A barganha será maior.
— E teremos o príncipe de garantia. — Adicionou Avivi.
Malek quase interrompeu, mas Raila o parou.
— O Imperador. Avivi está certo. Temos que lutar e combater. Só ganhamos algo com a força. — Raila disse, puxando uma decisão que os Silvani juntos apoiaram, derrotando o voto de Malek.
Eles saíram, o conselho menor apoiando a decisão.
Malek se aproximou de Raila, Barisi se interpôs. Raila com um sinal acalmou Barisi.
— Porque você disse aquilo? Eu conheço sua mística, o imperador não significa isso. — Malek disse com a calma Harata peculiar.
— A nossa 'mística' não vive de cada carta, vive da história que elas contam. Essa reunião só poderia ter esse fim. Qualquer que fosse o ganho maior, não vai vir dos Silvani. — Raila disse com um sorriso que era ainda mais macabro em uma Sangamani.
Barisi acenou, perguntando se ela tinha certeza.
Raila assentiu.
— Malek, não? — Ela disse com um ar quase sedutor. — Diga à seu Mestre que estamos em entendimento. Ele saberá o que quero dizer e o que estou concordando. Se o conheço, ele está já preparando as coisas neste momento.
Malek estranhou a declaração, mas era subserviente o suficiente para não fazer perguntas onde não encontraria respostas.